
Enquanto banqueiros lucram cada vez mais, as agências bancárias desaparecem.
Com o fechamento de uma agência, a unidade mais próxima absorve a demanda. As consequências são filas enormes e bancários sobrecarregados e adoecidos.
Os bancos fecham primeiro as agências de locais em que lucram menos. Com isso, moradores de bairros periféricos e pequenos municípios ficam sem atendimento. Comércio local é prejudicado.
Em 2025, os bancos brasileiros lucraram mais de R$ 100 bilhões. Ainda assim - operando como concessões públicas, com o dever de atender toda a população - fecham agências para lucrar ainda mais.
Bancos hoje optam por focar na manutenção e abertura de agências focadas em clientes de alta renda, com foco em investimentos, o que mostra que clientes desejam o atendimento presencial. Porém, os bancos escolhem o cliente que “merece” ter uma agência para lhe atender.
Mesmo o cliente que usa o app do banco para tudo é prejudicado. Menos agências são menos bancários. Menos bancários é o mesmo que menos suporte em caso de dúvidas, insatisfação ou golpes.
Nada substitui o olho no olho quando o cliente é vítima de um golpe, está insatisfeito com um serviço contratado ou mesmo quando vai realizar uma transação que envolve valores elevados. Quando você está com um problema, você não quer ser atendido por um agente de IA. Você que um profissional que te entenda e apresente uma solução.
Em 2015, existiam mais de 22 mil agências bancárias no Brasil. Hoje, restam pouco mais de 14 mil.
Banco Central do Brasil · 2025
75% das transações bancárias são feitas por smartphones. O digital substituiu a agência. Fechar é modernizar e reduzir o “custo de servir”.
74% dos clientes brasileiros preferem agências físicas para serviços complexos. Além disso, entre 2024 e 2025, houve aumento na contratação de crédito (alta de 11%) e de seguros (crescimento de 6%) nas agências. Bancos são concessões públicas e têm o dever de atender toda a população, não apenas os clientes de alta renda.
Os bancos fecham agências não porque os clientes não precisem, mas porque atender custa, e eles preferem não arcar com esse custo. O cliente perde o atendimento presencial, se “autoatende”, mas as tarifas não ficam mais baratas. Com lucros acima de R$ 100 bilhões em 2025, a decisão dos bancos não é sobre comodidade para o cliente ou viabilidade do modelo de negócio. É sobre margem.
Bancos operam por concessão pública. Isso não é detalhe jurídico, é o contrato entre a instituição financeira e o cidadão brasileiro.
Fechar agências em bairros pobres não é uma decisão comercial. É o descumprimento de um dever com o cidadão que financiou o crescimento desses bancos por décadas.
É uma campanha criada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, que representa os trabalhadores do setor bancário e defende o acesso de toda a população aos serviços financeiros.
O objetivo da campanha Eu Quero Mais Agências é pressionar os bancos, por meio de um abaixo-assinado e protestos realizados pelo Sindicato, para que interrompam a atual política de fechamento de agências e corte de empregos bancários.
O fechamento de agências prejudica a todos. Empregos são extintos, bairros e cidades inteiras ficam sem unidades bancárias, o comércio é afetado negativamente, a população fica com o atendimento precarizado e os bancários que seguem nas unidades abertas são sobrecarregados.
Problemas no app, fraudes, golpes, bloqueio da conta corrente, insatisfação com um serviço contratado.
Quando essas situações acontecem, a melhor opção é falar olho no olho com um bancário. Uma pessoa que vai te escutar, entender o seu problema específico e buscar uma solução na sua frente.
Quando algo não vai bem e precisamos solucionar um problema com o banco, é comum que o atendimento digital, automatizado, chegue a um “beco sem saída”. Sem ter o problema solucionado, você ainda ganha uma boa dose de estresse.
Além disso, o fechamento de agências também piora o serviço digital. Menos trabalhadores, menos suporte. Mais automação, mais erros. Foi registrado aumento de 23% nas reclamações nos canais digitais.
Porque nem tudo se resolve pelo celular. Idosos dependem de atendimento presencial. Pessoas com deficiência encontram barreiras nos apps. Trabalhadores informais precisam de acesso físico. Agências são infraestrutura de bairro: quando fecha, o comércio perde movimento e a economia local enfraquece.
Um estudo global da Accenture (Top Banking Trends 2026) mostra que consumidores preferem agências para tudo que é complexo: investimentos, empréstimos, resolução de problemas. 63% dos clientes gostariam de um banco físico que ajudasse a organizar a vida financeira. 76% usariam micro-agências ou pontos inteligentes.
Clientes resolvem problemas que o app não resolve. Idosos têm atendimento prioritário garantido por lei. Comerciantes dependem de agências para troco, depósito e câmbio. Prefeituras perdem emprego e renda quando agências fecham.
Ninguém é contra digitalização. O problema é usar como desculpa para cortar custos. Em 2024, os 5 maiores bancos lucraram mais de R$ 100 bilhões. Não estão quebrando, estão escolhendo lucrar mais atendendo menos.
A própria Accenture afirma que “num mundo onde é cada vez mais difícil distinguir o que é real do que é fake, algo sólido projeta segurança. A agência será um contrapeso cada vez mais importante num mundo dominado por IA”. E o dado mais revelador: bancos 100% digitais estão abrindo agências físicas. A Revolut inaugurou pontos de atendimento. O mercado mostra que presença física importa.
Mais fechamentos, mais exclusão, mais abuso. Perde primeiro a periferia. Depois, atinge todo mundo. Fechar agência não afeta só quem entra nela, afeta todo mundo que precisa de um banco que funcione.